O Brasil ostenta o Cristianismo como principal bandeira religiosa por conhecimento ou por convicção?

 Camaragibe, 10 de setembro de 2021.

Luiz Carlos Rodrigues da Silva¹


Nós estamos vivenciando uma onda de fundamentalismo em diversos setores da sociedade exemplos: na política e na religião. As recordações do passado ficam, para os defensores, como justificativa de que nos tempos anteriores a moralidade em excesso regrava a sociedade o que resultaria no povo mais puro e com bons costumes. Na verdade não passa de uma ilusão e a história  denuncia que a falta de conhecimento era a promotora desta falsa sensação. O mais grave é quando este fundamentalismo é reproduzido no Cristianismo. 

O Brasil ostenta em uma de suas bandeiras o número expressivo de habitantes considerados como cristãos. O cristianismo é uma religião monoteísta de proposta medular  baseada nos ensinamentos de Jesus de Nazaré - o Salvador Filho de Deus - que pregou a paz, fraternidade e o cuidado com o bem comum. Jesus Cristo denunciou opressões, denunciou a hipocrisia dos mestres da lei quando exigia do povo o rigoroso cumprimento da Torá e no final eles (os mestres) faziam o oposto do que pregavam. Ele lutou incansavelmente contra a indiferença humana e se fez irmão até dos que o perseguia.  

Recentemente, uma leitura me ajudou a caminhar mais um pouco sobre a proposta do Cristianismo. A reflexão do teólogo Castillo - Jesus a humanização de Deus -  faz alerta sobre o perigo de reduzirmos o Cristianismo apenas a um conhecimento histórico sobre Jesus quando na verdade é muito além, é uma série de convicções que deve orientar nossa vida.

"Os evangelistas foram, antes de tudo, crentes que nos transmitiram uma fé. Por isso quando nós, cristãos, temos os Evangelhos em nossas mãos não estamos simplesmente diante de uma séria de dados que ilustram o nosso conhecimento. Os Evangelhos nos apresentam uma série de convicções que determinam (ou deveriam determinar) nossa vida." 

Para Castillo a leitura do Evangelho não pode ser mero conhecimento de dados históricos sobre Jesus, mas convicção que determina (ou deveria determinar) a vida do cristão. A convicção é além do conhecimento histórico é fator imprescindível a deixar-se guiar em sua atividade do dia-a-dia pela fórmula, ou seja, o Evangelho de Cristo, o qual está convencido. É Alerta vermelho para não agirmos como os mestres da lei. O Evangelho de Jesus Cristo deve guiar a nossa vida, e, isto só é possível quando ultrapassamos o conhecimento e chegamos na convicção que é a vivência na prática. 

Neste sentido, ao entender que o cristão deve ser por convicção, é preciso olhar para dentro do nosso eu e tentar identificar os elementos de convicção. Se não encontrá-los devemos buscá-los urgentemente. 

E hoje o país, que ostenta o Cristianismo como sua principal bandeira religiosa, é apenas conhecimento ou convicção? 

(Para ajudar na reflexão convido a contemplar a foto acima. Um dos registros das manifestações do dia 07 de setembro de 2021.) 

¹Comunicólogo e estudante de Filosofia pela UNICAP

Comentários

  1. Meu amigo, a imagem que vemos é a da indiferença, do não seguimento aos ensinamentos de Jesus, da falta de empatia. Pra mim este "cristianismo" é apenas um falso conhecimento. Parabéns por nos trazer este questionamento.

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  2. Bela e inquietadora reflexão. Os invisíveis da sociedade desnudam a hipocrisia da nossa sociedade, que se diz cristã. Estas práticas vivenciadas diariamente ao longo do nosso Brasil, penso que angustiam as lideranças cristãs tanto católicas quanto evangélicas. Padre Julio em São Paulo, Dom Aloisio Fragoso em Recife e muitos outros nos enchem de exemplos edificantes, de ajuda ao outro. Temos que seguir estes bons exemplos.

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