AOS CRUCIFICADOS DE HOJE: não basta apenas rezar é preciso ser profetas, denunciar as injustiças e anunciar a libertação

 Luiz Carlos Rodrigues da Silva*

Alagoa Nova/PB, 10 de julho de 2021




Recentemente eu fiz uma leitura do artigo: “O que Deus tem haver com os crucificados” do Pe. Ademir Guedes, cp – missionário Passionista – e o autor traz um contexto sobre a importância dos crucificados de hoje e o relaciona com a vida profética de Jesus. Ao anunciar o Reino do Pai, Jesus foi subversivo ao modelo estabelecido na época que oprimia e escravizava os menos favorecidos. O autor destaca que os crucificados da época de Jesus (os pobres e marginalizados) eram importantes para Deus porque o projeto de salvação incluía o risco de morte do seu Filho, afim de libertar seu povo, através do anúncio do novo Reino. 

Hoje os crucificados do nosso tempo continuam dentro do projeto salvífico de Deus, mas carece que assumamos o compromisso profético em denunciar e anunciar a Boa-Nova assim como Jesus. Ser cristão, ou ao menos se intitular, dentro do projeto de Jesus Cristo é assumir os riscos inerentes a missão. É não se calar diante de opressão, injustiça, falta de caridade e do terrorismo gerado muitas das vezes em nome da fé.

Na sociedade contemporânea, considerando a crise sanitária enfrentada no mundo em decorrência do novo corona vírus, não podemos permitir que os governos usem da necropolítica – uso do poder social e político para definir quem pode viver e quem deve morrer através da distribuição desigual. É importante destacar que o vírus não faz distinções em seu contágio. A contaminação é independente de raça, classe, gênero ou orientação sexual. Porém o comportamento que é adotado pelos governos pode desenvolver dinâmicas que influenciam e acaba por gerar diferenciação que vai implicar na disseminação e no tratamento. Alguns exemplos: quem pode trabalhar em casa e evitar o transporte público está mais protegido do que os que necessitam se deslocar; moradores de comunidades possuem maior chance de contágio dos que moram em locais mais afastados e menos povoado. Os que têm acesso ao atendimento hospitalar de qualidade possui mais chances de vencer o vírus do que o morador de rua; os que possui menos acesso ao saneamento básico podem desenvolver outras patologias em decorrência da fragilidade imunológica; na ineficiência proposital do sistema de imunização e etc. Essas são algumas das ações desenvolvidas pelos governos para definir quem deve viver e morrer de forma discreta. Precisamos acordar e denunciar.    

Em tempos desafiadores do equilíbrio social e da fé, que nos coloca de frente com as nossas fraquezas e com a insensibilidade do mundo capitalista e excludente, caminhar na esperança é única solução, porém a nossa espiritualidade não deve está ligada apenas à ida ao templo físico e rezar, mas no comprometimento com a vida profética (ação/serviço) de Jesus de Nazaré.  É necessário perguntar-se: os crucificados de hoje têm algum valor e onde estão na minha relação com Deus?


*Comunicólogo e bacharelando em Filosofia pela UNICAP 

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