MAIS DE 400 MIL VÍTIMAS: precisamos construir um novo tempo e superar o egoísmo humano

Luiz Carlos Rodrigues da Silva*
(Camaragibe, 30 de abril de 2021)

Esta semana  pensei muito sobre atual situação política, econômica e sanitária, embora existam outras, enfatizaremos aqui a última em decorrência da crise que enfrentamos nos últimos anos. É assustador a relativização da vida e o egoísmo que mostra esta tendência presente no ser humano. E mais apavorante é percebermos e, mesmo assim, agir como se fosse natural/algo inevitável. 

Infelizmente ultrapassamos a marca de mais de 400 mil mortes em decorrência da Covid-19. O luto não deve ser apenas pela morte em si, mas precisa ser atitude que permita a continuidade da vida. Não tem como reverter os óbitos, mas podemos e temos a obrigação de evitar novas mortes por negligência.  

Escutei algumas frases estes dias e descrevo-as aqui, apenas duas delas, com comentário: 

"Não se morre mais de outra coisa, isso é alarde." - o sentimento é de tristeza ao ouvir, porque o corona vírus é uma doença que ataca o sistema imunológico, de forma agressiva, desenvolvendo novas patologias e/ou acelerando as pré-existentes tendo um desfecho muitas das vezes fatal;

"No mundo morre muito mais por abortos e não se tem tanta baderna." - não podemos, neste momento, cair na desgraça de querer justificar sob o peso de que ou quem mais mata com comparações ilógicas. A defesa da vida se dá desde a concepção e só finaliza quando há interrupção natural. No caso da pandemia, mesmo sendo um vírus da natureza, ele pode ser controlado e isto depende do distanciamento social e com a vacinação total da população. 

Acredito que quando buscamos culpar uma única pessoa, ou até, mesmo quando fazemos  comparações ilusórias, na verdade, estamos nos acovardando. Aproveito para recordar os personagens Adão, Eva  e Caim que são conhecidos no judaísmo e no cristianismo - por fugirem da responsabilidade de seus atos. A questão que discutimos é a crise sanitária que é fruto da nossa irresponsabilidade com o meio ambiente. Não podemos jogar a culpa exclusivamente em um órgão/país/governante ou indivíduo. Fazemos parte de um ecossistema que está entrando em colapso e que há tempos dá sinais claros.  

Desta forma, também não podemos ser passivos com a omissão dos governantes que insistem em politizar partidariamente uma situação que não deveria envolver partidarismo, mas unicamente a união de forças para a construção de políticas voltada para o controle da doença.   

Por fim, a atual situação nos coloca de frente com a nossa própria existência e nos pede resposta rápida e de eficiência para as questões sociais e humanitárias. Fomos desafiados, precisamos ultrapassar o nosso egoísmo e partir para a busca constante do bem estar social. Acredito que o desafio agora é pensar no eu, mas sem esquecer o nós. 

*Comunicólogo e estudante de Filosofia pela UNICAP. 

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