É preciso abraçar as cruzes de hoje ancorado na Cruz esperançosa de Jesus

    
Querido irmão(ã), peço desculpa por não atualizar com frequência este espaço porque estou concentrando os esforços em algumas leituras para uma pesquisa acadêmica. Acredito que nos próximos meses volto com mais tempo e com novas reflexões. Aproveito para relembrar o primeiro artigo que escrevi, no mês de março do ano de 2020. Fui impulsionado a escrever em decorrência da via-cruz que o mundo estava começando a enfrentar com a Covid-19. 
    
Estou disponibilizando mais uma vez o artigo, porém com algumas alterações. Desejo uma boa leitura: 


Luiz Carlos Rodrigues da Silva* 

    Nos últimos dias o mundo vem navegando sobre um oceano de dores e sofrimentos. O surgimento do corona vírus (covid-19), colocou o planeta todo em alerta. Os líderes no mundo inteiro decretaram o fechamento de escolas, shoppings, parques, mercados etc. Também houve impacto diretamente nos templos religiosos, as dioceses no mundo inteiro suspenderam a celebração da Santa Missa com a participação de fiéis. 

    Esses fatos recordam muito as primeiras comunidades cristãs que perseguidas pelos romanos, precisavam reunir-se de portas fechadas para celebrar o mistério pascal. O apóstolo Paulo, enquanto prisioneiro, em carta direcionada a comunidade de Efésios no capítulo 4 exorta a necessidade da comunidade permanecer unida em oração nutrindo a esperança no Cristo Salvador. Hoje os cristãos do mundo inteiro estão sendo convidados a viver assim, como os primeiros, o templo, Igreja física não existia, mas a Igreja era a família, e hoje somos convidados a reviver aquele momento histórico e pedagógico. 

    No início do seu pontificado o papa Francisco escreveu a Evangelli Gaudium – A Alegria do Evangelho – no documento o sumo pontífice exorta uma Igreja em saída, uma Igreja acolhedora, uma Igreja que seja família, uma família que seja Igreja e que esteja disposta a viver para o pobre. Hoje todas as igrejas físicas estão fechadas, tornou-se a mesa de nossa casa o altar de Cristo. O papa Francisco na encíclica Lumen Fidei – A Luz da Fé – destaca a importância da família para a construção social. Francisco acredita que a Fé vivida em família é luz para a sociedade machucada: "Assimilada e aprofundada em família, a fé torna-se luz para iluminar todas as relações sociais. Como experiência da paternidade e da misericórdia de Deus, dilata-se depois em caminho fraterno. Além disso a fé, ao revelar-nos o amor de Deus Criador." (54/55) 

    Diante das dores e sofrimentos no mundo contemporâneo somos convidados a exemplo do santo  fundador dos Passionistas, São Paulo da Cruz, a meditar a Paixão de Jesus Cristo a fim de esvaziar-nos, e nos preencher pela sabedoria da Cruz. O padre Eugênio Mezzomo, cp - missionário Passionista - explica que é necessário possuir desejo e esperança. Quando Jesus caminhava e encontrava um doente ele sempre perguntava o seu desejo e depois realizava a cura. Mezzomo ainda cita o Itinerário da Mente de São Boa Ventura que afirma, em seus escritos que, o desejo é essencial na busca pelo dom: "Os desejos e as esperanças são fundamentais para progredir na oração. Na Idade Média, os estudiosos não descobriram novas estrelas no céu, porque não esperavam encontrar novidades ou estrelas novas. Quando Galileu mostrou que era possível encontrar novas estrelas, mesmo a olho nu, houve muitas descobertas. Assim também na vida espiritual. Quem nada espera nada alcança, mas, quem tem expectativas procurará e poderá encontrar. (Mezzomo, Eugênio. A Cruz Habitada p.60) 

    No mês de março de 2020 o Papa Francisco concedeu a cidade de Roma e ao mundo inteiro a benção solene (Urbi et Orbi) e na catequese o Papa Francisco expressou sobre a necessidade de contemplar a Cruz:  "Abraçar a sua Cruz, significa encontrar a coragem de abraçar todas as contrariedades da hora atual, abandonando por um momento a nossa ânsia de onipotência e posse, para dar espaço à criatividade que só o Espírito Santo é capaz de suscitar. Abraçar o Senhor para abraçar a esperança. Aqui está a força da fé e que liberta do medo." (benção Urbi et Orbi, em 27 de março de 2020). 

    O papa Francisco, assim como o fundador dos missionários Passionistas, São Paulo da Cruz, acredita que é a Paixão de Jesus Cristo o único remédio para os males do mundo. Durante a benção, diante de uma praça vazia, o Papa exclamou: “Em meio a tempestade o Senhor nos interpela e pede que nos despertemos. Temos uma âncora: na sua cruz fomos salvos. Temos um leme: na sua cruz fomos resgatados. Temos uma esperança: na sua Cruz, fomos curados e abraçados, para que nada e ninguém nos separe do seu amor redentor.” O sumo pontífice com isto, resgata a imagem da santa Esperança que todo o cristão deve trazer impressa no coração.

    O beato Domingos da Santa Mãe de Deus, presbítero e missionário Passionista, em seus manuscritos afirma que a esperança é uma virtude que deixa firme diante das dificuldades que o mundo nos apresenta: “Com efeito a esperança é uma virtude que, como se fosse uma âncora, mantém firme o barco da nossa alma no meio das tempestades deste nosso pobre mundo”. (parte II, ff 138). Portanto é necessário meditar a Paixão de Jesus Cristo para encontrar a esperança e sermos propagadores diante de um mundo sofrido pelo egoísmo e indiferença.

* Comunicólogo e estudante de filosofia 

Comentários

  1. Amei ❣️ temos que abraçar a nossa cruz 🙏

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  2. Que lindo vamos juntos nos fortalecer, que Deus esteja sempre presente na sua vida.

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