Uma campanha certa para tempos incertos; "Cristo é a nossa paz: do que era dividido fez uma unidade."


Camaragibe/PE, 17 de fevereiro de 2021
Luiz Carlos Rodrigues da Silva

    Nesta quarta-feira (17/02), é a abertura da Campanha Ecumênica da Fraternidade 2021. Que tem como tema: "Cristo é a nossa paz: do que era dividido fez uma unidade." (Ef. 2,14a), e como lema: "Fraternidade e diálogo: compromisso de amor." De forma ecumênica várias denominações se unem para refletir sobre diversos problemas sociais, romper os muros da intolerância, das divisões e do egoísmo. A Campanha da Fraternidade é coordenada pela CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs. Três palavras podem ajudar a resumir a campanha, são elas: diálogo, perdão, compaixão e convívio - também são usadas pelos Evangelistas ao relatar sobre a vida de Jesus Cristo. 
     Recordo de quando criança acompanhava as campanhas da fraternidade, de modo especial, gostava muito de cantar os hinos e hoje ainda lembro alguns temas. É nítida a importância de se abordar temas que ajuda na formação humana e cristã.  Hoje me alegro ao ver que as vozes de grandes profetas como: Dom Pedro Casaldáliga, Dom Helder Câmara, Dom Paulo Evaristo Arns, Dom Oscar Romero e tantos outros profetas e profetizas, que trabalharam pela propagação da paz e derrubada dos muros das injustiças sociais e da necropolítica (termo usado para negar a humanidade do outro onde o estado estimula indiretamente a política de inimizade), sejam ouvidas e praticada de forma ecumênica. Recordo aqui um trecho do Catecismo da Igreja Católica que diz: "Além disso, existem fora das fronteiras visíveis da Igreja Católica, «muitos elementos de santificação e de verdade» (279): «a Palavra de Deus escrita, a vida da graça, a fé, a esperança e a caridade, outros dons interiores do Espírito Santo e outros elementos visíveis» (280).  
     Quando olhamos para a vida de Jesus, basta ler o sermão das Bem-Aventuranças (Mt 5,9), um convite à prática da paz, a derrubada dos muros do egoísmo, indiferença e prepotência religiosa. Recordo o teólogo José Castillo que faz um alerta sobre o perigo de associar Jesus Cristo a uma religião que se situa melhor que a outra: "[..] a partir do momento que Jesus é vinculado a uma religião que se situa por cima das demais, existe o perigo de que o Evangelho, em lugar de unir os seres humanos, em suas diversas culturas e tradições religiosas, sirva para dividir, separar, afastar e confrontar os seres humanos entre si." . Trabalhar de forma ecumênica é unir forças, é ser uma grande família em busca do Reino de Deus - diferente da ideia de reino que conhecemos na lógica humana. O apóstolo Paulo, em Carta a Comunidade de Efésios, afirma que já não existe muros que os separam, mas que todos são membros da família de Deus (Ef. 2,19). 
    Pelo texto-base, da Campanha da Fraternidade 2021,  buscar a reflexão de novos caminhos é o centro da campanha para a construção de pontes de amor no lugar de muros e de ódio. É, a partir da humanidade de Jesus Cristo, dever do cristão viver em comunhão. O capítulo 140 do texto-base exorta: " a partir da amorosidade e da paz somos livres para incluir, ser solidários e solidárias, praticar o diálogo, respeitar todas as tradições de fé, viver em horizontalidade, sermos justos e justas nas relações econômicas. Nesse contexto, não nos é permitido estabelecer relações de dominação, intolerância, exploração, exclusão. Deus nos liberta para o amor e não para o ódio." 
    Ao celebrarmos a CF 2021, estamos em comunhão com a Igreja de Roma, conforme nos ensina o Vaticano II -  Constituição Dogmática Lumen Gentium - Luz dos Povos, que reconhece a ação do Espirito Santo em outras denominações que não mantém a união com o sucessor de Pedro: "[...] A isto se junta ainda a comunhão de orações e de outros benefícios espirituais; e mesmo certa união verdadeira do Espírito Santo que, também neles opera com o seu poder santificante por meios de dons e graças, e a alguns fortaleceu até à efusão do sangue. Assim, o Espírito suscita em todos os discípulos o desejo e a ação, para que todos, do modo estabelecido por Cristo, se unam pacificamente num só rebanho, sob um único Pastor. [...]." (15). 
    Hoje iniciamos a quaresma: tempo de meditação e conversão. Peçamos a Deus, seguindo os passos de Jesus, a graça de rompermos o egoísmo e a divisão que nos separa do amor messiânico. 

Luiz Carlos é Comunicólogo e bacharelando em Filosofia pela UNICAP. 

    
Deixo para meditação a mensagem do Papa Francisco e uma canção do Pe. Zezinho, scj - Canção Ecumênica


       

  

Comentários

  1. Excelente "discertacão" sobre o tema e o lema neste momento de tantas divisões, intolerância não apenas religiosa.
    A reflexão nos ajudará a revermos conceitos múltiplos, basta nos abrirmos para Cristo.
    Parabéns!!

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  2. Muito bom! Perseverança e boa produção de textos neste viés eclesial. Um grande abraço!

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