Não podemos relativizar o vírus e nem ignorar a fome que cresce no Brasil


   
 Alagoa Nova, 06 de janeiro de 2021

Luiz Carlos Rodrigues da Silva 

    Vivemos uma das maiores aflições no mundo com a crise sanitária, oriunda do novo corona vírus, agravada por uma gestão negacionista, desumana e irresponsável sem capacidade de gerenciamento. O nosso país segue na contramão das políticas de combate ao vírus e o avanço da miséria. O povo agoniza com o agravamento da crise financeira que faltam recursos para a manutenção básica de alimentação e saúde. É uma urgência termos consciência que somos parte e que precisamos buscar soluções.

    O vírus não é conto, não é invenção da imprensa, mas é uma doença grave que está devastando boa parte da humanidade e parte da responsabilidade é nossa quando não seguimos as orientações para evitar o contágio. Escreveu o ecoteólogo, Leonardo Boff, que não podemos ver o fato como algo isolado, mas precisamos buscar os elementos que levou a sua irrupção para a correção: Ele veio da natureza. Ora, como bem disse o Papa Francisco em sua encíclíca “sobre o cuidado da Casa Comum:”Nunca maltratamos e ferimos nossa Casa Comum como nos dois últimos séculos”(n.53). Quem a feriu foi o processo industrialista: o socialismo real (enquanto existia) e principalmente o sistema capitalista hoje globalizado. Este é o Satã da Terra que a devasta e à leva a todo tipo de desequilíbrios. Ele é o principal (não o único) responsável pelas várias ameaças que pairam sobre o sistema-vida e o sistema-Terra: desde o possível holocausto nuclear, o aquecimento global, a escassez de água potável até a erosão da biodiversidade.".  Boff ainda afirma que precisamos mudar urgentemente a nossa forma de relacionamento com a natureza ou seremos contra-atacado por outros vírus: "Nunca o nosso amor à vida, a sabedoria humana dos povos e a necessidade do cuidado foram tão urgentes".

    É necessário destacar que o Brasil está avançando para o topo do mapa mundial da fome. Uma pesquisa realizada pelo IBGE, no biênio 2017 e 2018, afirma que a fome aumentou mais de 43% no Brasil.  Os números já são assustadores - a pesquisa mostra que as regiões que mais sofrem são o Norte e o Nordeste do país. Diante da crise sanitária, os números devem ser maiores, a realidade do aumento da fome e do desemprego é muito além do que imaginamos. 

Não podemos ficar passivos, precisamos cobrar das autoridades constituídas que assumam a responsabilidade de construir um pacto nacional, para a junção de forças, afim de erradicar a crise sanitária e dá condições de dignidade ao seu povo. Porém, também somos interpelados a tomar para si a responsabilidade de construir uma relação sadia com a criação - usando de forma racional os recursos que a natureza disponibiliza e construir relações de fraternidade que nos ajude a enxergar o outro como irmão. 

Luiz Carlos é comunicólogo e estudante de filosofia pela UNICAP. 

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