Papa Francisco de coração Passionista: "Não podemos ver o rosto de Deus, mas podemos experimentá-lo ao olhar para nós quando honramos o rosto do próximo que nos ocupa com suas necessidades"


 Alagoa Nova - PB, 22 de dezembro de 2020
Luiz Carlos Rodrigues da Silva 

   Vivemos um período obscuro de incertezas que acabam por abalar e consequentemente fragilizar a nossa Fé. A figura do Papa Francisco traz tranquilidade e reacende a chama da esperança em nossos corações. A mesma chama acendida por Jesus Cristo. Nesta segunda-feira (22/12), durante a mensagem dirigida, por ocasião do Santo Natal do Senhor, o santo padre fez um apelo colaborativo para anunciar a boa nova aos pobres: "Lembremo-nos que só conhece verdadeiramente a Deus quem acolhe o pobre que vem de baixo com a sua miséria e que precisamente nessas vestes é enviado do alto. Não podemos ver o rosto de Deus, mas podemos experimentá-lo ao olhar para nós quando honramos o rosto do próximo que nos ocupa com suas necessidades. Os pobres estão no centro do Evangelho [...]". 

  A mensagem dirigida pelo santo padre nos lembra São Paulo da Cruz, no séc XVIII que despertava na Igreja Católica e no mundo sobre a necessidade de enxergar Jesus Crucificado nos irmãos e irmãs que sofrem com as injustiças sociais. No rosto dos pobres sofredores deve-se enxergar a face de Jesus na atualidade. Depois, mais à frente a Congregação vai chamá-los de: os crucificados de hoje. Paulo da Cruz se destacou por sua vida intensa de oração e dedicação aos pobres e sofredores. Atento a necessidade de se fazer memória da sagrada paixão, morte e ressureição de Jesus Cristo - como o remédio mais eficaz contra os males - fundou a Congregação da Paixão - Os Passionistas que a 300 anos propagam na Igreja o carisma. 

    Sabemos que o papa Francisco é Jesuíta, mas seu coração é Passionista, um coração sensível que enxerga nos sofredores (crucificados de hoje), a face de Jesus e quando os acolhe cumpre o apelo evangélico deixado pelo Cristo. O simples gesto de acolhida é um convite para a Igreja e o mundo enxergarem os crucificados de hoje que são: os pobres, os abandonados, os doentes, os viciados, os encarcerados etc. 

O fazer memória da Paixão de Jesus Cristo hoje é viver a gratuidade, é dá sem esperar nada em troca. É viver em fraternidade. É enxergar o outro como irmão. A lógica proposta pelo cristianismo é contrária do capitalismo que massacra e oprime o mais fraco. 

No final da mensagem o papa Francisco cita o grande humanista, Dom Helder Câmara, bispo de Olinda e Recife/PE, que dedicou sua vida pelos crucificados da época. Dom Helder não foi um Passionista canônico, mas seu coração pulsou a cada instante as batidas do Fazer memória da paixão, morte e ressureição de Jesus Cristo - JESU XPI PASSIO.

Segue o vídeo: 

Luiz Carlos é comunicólogo e estudante de filosofia pela UNICAP 

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