A PARTICIPAÇÃO SOCIAL: é a esperança em meio ao caos gerado pela guerra política em uma sociedade ferida

Foto: cartamaior


O Brasil, de acordo com suas prerrogativas constitucionais, vive um período eleitoral para escolha dos representantes dos poderes legislativo e executivo a nível municipal. O  sentimento popular é de preocupação diante de atitudes menoscabável de alguns ocupantes de cargos públicos fomentando na sociedade o sentimento de indiferença no povo sofrido e desacreditado. No entanto, não podemos perder a esperança no recomeço. A construção política não pode ser perfeita porque não possuímos a completude, mas  através da correção fraterna, da humildade e da ética podemos construir uma sociedade direcionada ao bem-comum. 

O que é política?

O termo política tem origem no grego (πολιτεία) e significa conjunto de procedimentos para a comunidade (Polis = cidade), ou seja, podemos entender a palavra política como elementos norteadores da organização da cidade. Para Aristóteles, filósofo grego, o homem é um animal político porque tem carência de viver em comunidade - já que a vida em comunidade auxilia o homem na superação de limites. Em outras palavras o pensador grego diz: o homem é dependente da construção de relações fraternas para  assegurar a manutenção da espécie. 
Na obra "A política" Aristóteles destaca qual deve ser a função do estado e do seu governo. Para ele, o Estado deve ser uma sociedade construída sob a esperança no bem comum e que o governo (as relações) também sejam guiadas para esta finalidade. O que o filósofo desejava para a Polis grega é que os governantes prezassem pelo bem-estar de todos. 

A tendência para a corrupção:

O filósofo inglês, Thomas Hobbes, do período moderno, afirma que homem age visando seu próprio interesse em obter alguma vantagem e/ou lucros e que isto está relacionado a sua vaidade. Na obra O Leviatã ele afirma que esta atitude dispensa os imperativos morais por uma única finalidade: a autopreservação - ele vai chamar isto de lei natural porque os homens por terem as mesmas bases e possibilidades  no estado de natureza são levados à inimizades, em outras palavras, o desejo de possuir as mesmas coisas o levam sempre à disputa. Mas Hobbes aponta uma saída, para ele o homem precisa abrir mão do seu estado "natural" e deve cumprir o que ele vai chamar de contratos. Na prática o homem transfere seu direito de autoproteção, que o leva a corrupção, para o Estado que através do poder e do consenso passa a regular em nome da sociabilidade e cada membro tem sua utilidade no corpo social. 

No cristianismo

Não é diferente o conceito para  Agostinho, grande filósofo e doutor da Igreja , que ajuda a esclarecer o conceito de política proposto pelo cristianismo.  O santo africano escreveu  A cidade de Deus, na obra Agostinho traz o modelo de sociedade em dois aspectos: 1) a cidade de Deus - é constituída pela arte do bem comum, ou seja, a utilização harmônica dos recursos naturais respeitando a vida e a dignidade humana livre de quaisquer das competições ambiciosas de poder. Sendo norteada pela correção fraterna e gerida pela moral divina; 2) cidade dos homens - é caracterizada pelo uso irracional dos recursos com objetivo de exploração, competição, enriquecimento e promotora da desigualdade humana, ou seja, é governada pela força do mal. 

Mas tem jeito? 

O conceito Aristotélico de política pode ser entendido como a busca pela completude do homem por meio das relações sociais. Já para Hobbes, que também segue  Aristóteles,  é preciso que o homem seja moderado pelo  Estado, através do poder e consenso, na missão de garantir a construção social isenta dos extintos que o leva a corrupção.  Depois, temos o conceito de Agostinho que traz a moral cristã também como moderadora afim de garantir o modelo adequado garantidor de direitos e deveres. 

Acreditamos por fim, com base nas reflexões, que precisamos buscar a completude e jamais optar pela mediocridade. Somos parte de um grande corpo o qual todos possuem importância na construção social. Quando cansados, desacreditados e machucados abrimos mão de lutar, estamos negligenciando a nossa humanidade e fazemos um auto julgamento de que somos perfeitos e isentos de responsabilidades. A construção politica é garantida pela participação de todos quando acompanha de perto os governantes e exige que o serviço seja feito com os requisitos moderador da garantia de preceitos éticos, morais e humanos.

Na busca pela governabilidade em construir uma sociedade voltada ao bem-estar comum o preceito indispensável é o diálogo e o respeito com o pensamento divergente. É preciso ter equilíbrio, maturidade e humildade para moderar o instinto de sobrevivência que pode levar ao caos social. 
No fim, deixo para reflexão a música - Nênia -  de composição do Padre Zezinho, scj que evidência bem o dilema social que vivemos hoje. 


Luiz Carlos Rodrigues da Silva é Comunicólogo e estudante de filosofia. 



Comentários

  1. Reflexão muito pertinente para o momento em que vivemos, fiquei curiosa, com o desejo de lê este livro de Santo Agostinho, deve retratar muito bem a face dos nossos políticos. Por fim a música é perfeita.👏👏👏

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  2. Olá, obrigado pela contribuição. Caso deseje o livro posso mandar por e-mail. Manda um e-mail para: contato@luizcarlospb.com.br

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