MISSÃO PROFÉTICA DEVER DO CRISTÃO: mas nem todos se comprometem e os que vivem são ameaçados

    Hoje fiz a leitura de uma manchete, em um grande portal de notícias do Brasil, que traz a informação de que um sacerdote da Igreja Católica, comprometido com a vivência radical do evangelho, está sendo ameaçado de morte. O padre Júlio Lancellotti, coordenador da Pastoral de rua da cidade de São Paulo/SP, que tem um longo histórico de comprometimento com os mais pobres e esquecidos. Lancellotti, na prática, dedica sua vida apostólica totalmente aos mais fracos, aos abandonados, aos moribundos. 

    O trabalho apostólico do padre, que é também obrigação evangélica de todos nós que professamos a fé cristã, está incomodado. Mas qual a causa do incomodo? A quem agrada ver tantos pobres na miséria padecendo de dores físicas e espirituais? 

  Quando observando a vida profética de Jesus percebemos que a sua caravana (discípulos e seguidores), não deixava para trás ninguém, mesmo com a insensibilidade de alguns, Jesus sempre estava atento aos mais necessitados.  Mateus (8,1-4), narra que Jesus cura um leproso, no texto diz que uma grande multidão o seguia e, mesmo assim, Jesus se compadeceu do leproso. Depois mais a frente no capítulo 12, 15b o evangelista faz questão de anunciar que todos que o seguia eram curados. É claro que Jesus não estava preocupado com os números de seguidores, mas sim com a particularidade de cada um. O projeto proposto por Jesus não é restrito a um ou a grupos, mas é universal. 
      
   Ser cristão é viver, ou ao menos, tentar reproduzir a vida profética de Jesus na sociedade atual. No entanto, tudo que fuja do conceito salvífico universal proposto por Jesus, pode ser qualquer outra coisa menos cristianismo. O evangelista Lucas (4, 18-19) resume o ser profético de Jesus com suas próprias palavras proferida no templo: "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa Notícias os pobres. Envio-me para anunciar a libertação aos presos e a recuperação da vista aos cegos, para dar liberdade aos oprimidos, e para anunciar o ano da graça do Senhor." Ser cristão é uma escolha, porém requer compromisso com a radicalidade evangélica.    
    
    Ser profeta não é fácil, percebemos isto claramente, na narrativas sobre a vida de Jesus que precisou enfrentar grandes estruturas e depois na missão dos apóstolos/mártires - o segredo é confiar em Deus e parafraseando Dom Helder Câmara - o Dom da Paz - é necessário não deixar a profecia cair. 
    

Por Luiz Carlos que é comunicólogo e estudante de filosofia 

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