Celebrar a Exaltação da Santa Cruz é um convite pessoal à releitura da humanidade em Jesus

 

    Esta semana celebramos duas festas na liturgia da Igreja Católica: a Exaltação da Santa Cruz, celebrada na segunda-feira (14), e a Virgem Maria com o título de Nossa Senhora das Dores, nesta terça-feira (15/09). As duas comemorações tem um papel de grande importância na vida da Igreja. A Exaltação da Santa Cruz teve origem no século IV, segundo a Igreja, santa Helena sai à procura do madeiro, onde o Cristo foi crucificado, e a partir daí nasce a devoção. A festa de Nossa Senhora com o título das Dores, com origem devocional foi introduzida no calendário da Igreja por Pio VII em 1814. Na festa da Cruz a importância é a figura humana de um Deus que se faz homem, para estar junto do seu povo sofredor, oferecendo libertação. Depois, a figura materna de uma mãe que sofreu as dores, mas que acreditou no projeto salvífico de Deus.

        Quando celebramos, festas, solenidade ou memórias, mais do que relembrar é tentar entrar na história, não no sentido de ser parte dela, mas reproduzi-la no contexto atual de nossa vida. É necessário analisar a vida profética de Jesus e confrontar com as nossas ações e atitudes de hoje. A vida pública de Jesus, embora sido curta, foi intensa e sua preocupação era instituir um novo reino. O teólogo Castillo, na obra a humanidade de Jesus, fala que o diferencial em Jesus foi sua proposta humanista contrária a qualquer propositura de dominação sobre a terra. Jesus estava interessado em ver, ouvir e sentir o seu povo e depois apontar qual o caminho. Para entender este aspecto basta ler as bem aventuranças (Mt 5, 1-12).        

        Hoje diante da atual situação pandêmica, com um vírus que estar devastando parte das nações, uma economia doente pelo capitalismo desenfreado e o crescimento da indiferença com os menos favorecidos, somos desafiados a reviver e atualizar o sentido da cruz. Parafraseando o biblista Mezzomo, na obra a Cruz habitada, ele fala sobre o perigo de vivermos uma espiritualidade individualista pautada na indiferença: “[...] A omissão se traduz por não contribuir para transformar as situações desumanas”Precisamos enxergar: 1) quem está sendo crucificado hoje? 2) Podemos exaltar a cruz de Cristo sem enxergar as cruzes de hoje? 3) Podemos celebrar o título das Dores sem enxergar as dores do irmão? 3) Se Cristo foi levado à Cruz foi por um propósito, não seria esta uma pedagogia para a humanidade?


Luiz Carlos Rodrigues da Silva é comunicólogo e estudante de filosofia

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