REDES SOCIAIS NA INTERNET: e o perigo da inteligência artificial que pode aprisionar o usuário em uma bolha da mediocridade

 

Imagem: internet/Google
O advento das redes sociais na internet, possibilitou o encurtamento das distâncias geográficas e a fomentação de uma comunicação rápida e mais acessível. No entanto precisamos considerar que existem desvantagens. Entre elas estão o aumento da ansiedade e depressão e o distanciamento do mundo racional e humano. Nosso intuito é demonstrar que os aspectos negativos podem ser mais devastadores que os positivos e precisa de nossa atenção.

Quando falamos em redes sociais, logo remetemos ao Facebook, Twitter, Instagram e etc., no entanto precisamos corrigir esse nosso erro inconsciente. Porque são ferramentas que estão dando suporte as redes sociais que fazemos no nosso dia-a-dia e traduzimos ao espaço digital, por meio destas ferramentas. Para Dra. Raquel Recuero, pesquisadora brasileira e professora da área: “As chamadas redes sociais na internet são traduções das redes sociais off-line dos indivíduos, de suas conexões sociais. ”.

Assim, não podemos esconder que o meio digital favorece um encurtamento de várias ações que antes demandavam muito tempo e alto custo. Hoje mandamos uma carta usando um aplicativo, pagamos uma conta sem ir ao agente financeiro. É incrível a forma que revolucionamos as atividades complexas e que agora se tornam práticas. Nasce também o desejo de compartilhar a rotina, mostrar o que têm, o que faz e como estar fisicamente e/ou emocionalmente. Não existe mal algum em compartilhar e receber informações com os outros porque isto faz parte do ser comunicativo evolutivo do homem.

        Alguns profissionais e pesquisadores da psicologia alertam sobre a necessidade de um uso racional das ferramentas, inclusive com crianças, adolescentes e jovens que estão em estágio de desenvolvimento psíquico e físico. Estas facilidades podem retardar ou atrofiar o desenvolvimento natural. Vejamos, apenas um exemplo, o Facebook, passa por constante atualização das métricas, em uma de suas atualizações entre os anos de 2016 e 2018, a empresa passou a investir em robôs - algoritmos que cria uma certa vigilância no usuário – para filtrar o conteúdo de preferência criando uma espécie de “mundo” único para o usuário. Alguns pesquisadores estão chamando de bolhas de filtro, porque de certa forma isola o usuário dentro de um mundo real, de suas preferências, mas o priva do divergente. Sabemos que a regra principal para a vivência em sociedade é o respeito ao contraditório. As ferramentas que utilizam dessas métricas acabam por alienar os usuários, fomentando os discursos de ódio e a intolerância contra as diferenças existentes no mundo.

        Desta forma vemos que há uma espécie de prisão que suga o usuário para dentro de um mundo medíocre. O filosofo moderno Immanuel Kant, na sua teoria, afirma que a mediocridade aprisiona o homem condenando a menoridade, ou seja, viver da média e submisso. Além disto, existe a gestação de doenças psicossociais e o agravamento de relações humanas e sociais. Em 2017 a empresa Kaspersky, do ramo de segurança cibernética, divulgou uma pesquisa onde mostra que as relações de pais e filhos pioraram depois do uso compulsivo das ferramentas sociais. A Royal Society for Public Health (RSPH), publicou recentemente uma pesquisa que aponta os efeitos positivos e negativos e entre os negativos estão a crise psicológica com relação a autoimagem e o aumento nos transtornos de ansiedade.

        No entanto, não podemos ter as ferramentas de redes sociais, na internet, como inimigas. Ela é útil e uma das coisas essenciais no século XXI. Porém, é necessário está atento para não ser sugado pela bolha separadora da realidade racional e humana. O filosofo nascido na Coreia do Sul, Chul-Han, que atualmente mora na Alemanha, nos ajuda a refletir mais sobre. Na obra o inferno do igual e a intolerância ao diferente o filósofo enfatiza que as redes sociais, na internet, possibilitam ao usuário viver uma espécie de individualismo de ficção onde todo mundo deseja ou pensa ser diferente. Na realidade, todos são forçados a viver em um padrão com ideias impostas e acabam adoecendo misteriosamente sem saber identificar a causa origem.

        Precisamos urgentemente analisar a nossa atividade extensora nas redes sociais. Não podemos demonizar o advento das redes sociais na internet, mas precisamos estar atentos a indústria cultural, ao capitalismo que usam as ferramentas para obter vantagens e estas vantagens são devastadoras para os usuários que são tragados inconscientemente. Algumas questões para refletir: Estou sendo conduzido pela bolha da mediocridade? Não suporto o divergente como realidade a qual preciso conviver e respeitar? Como anda minha autoimagem? Sou dependente das conexões, ou elas dependem de mim?

Luiz Carlos Rodrigues da Silva é comunicólogo e estudante de filosofia. 



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